Governo vai propor redução do IRPJ na próxima etapa da Reforma Tributária

Governo vai propor redução do IRPJ na próxima etapa da Reforma Tributária

Appy revela planos de redução do IRPJ e desoneração da folha, buscando modernizar a economia brasileira e atrair investimentos. Em um movimento para reformular o sistema tributário brasileiro, o governo federal, por meio do secretário extraordinário do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, revelou planos para reduzir o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e desonerar a folha de pagamento das empresas na próxima etapa da Reforma Tributária.

Apesar de não especificar a futura alíquota do IRPJ, Appy assegurou que o Brasil seguirá “padrões internacionais de tributação da renda”. Atualmente, o Brasil tem uma das taxas mais altas do mundo, com grandes empresas sendo tributadas em cerca de 34%, um contraste gritante com a média de 23,6% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conforme dados da Tax Foundation. O secretário enfatizou que o “padrão internacional é uma referência”, sugerindo que, embora o Brasil possa não adotar exatamente a média global, certamente se inspirará nela. Ele também mencionou conversas com o deputado Elmar Nascimento sobre a Medida Provisória do Desenrola, que aborda a questão do rotativo.

A fase atual da reforma tributária, em discussão no Congresso, foca em impostos sobre o consumo. No entanto, a próxima etapa abordará a tributação da renda. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que a proposta de mudança na tributação da renda será enviada ao Congresso após a aprovação das mudanças nos impostos sobre o consumo. Para compensar a redução da arrecadação resultante dessas mudanças, Appy indicou que o governo considerará a taxação da distribuição de lucros e dividendos de empresas para pessoas físicas, entre outras medidas.

Ele mencionou um “cardápio” de opções em discussão, sem entrar em detalhes específicos. O Brasil é uma das poucas nações que não taxam a distribuição de lucros e dividendos para pessoas físicas. No entanto, essa isenção, que existe desde 1995, pode estar prestes a mudar. O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia proposto uma taxação de 20% sobre esses rendimentos, mas a proposta foi alterada pela Câmara dos Deputados para 15% e ainda aguarda aprovação no Senado. Sobre a desoneração da folha de pagamentos, Appy reiterou que o tema será discutido em conjunto com as mudanças no Imposto de Renda.

Ele também mencionou a possibilidade de uma desoneração “não linear”, beneficiando principalmente trabalhadores com salários mais baixos. O Brasil tem uma das taxas de contribuição patronal mais altas, variando de 34% a quase 43%. Em comparação, a OCDE tem uma média entre 20% e 16%, de acordo com um estudo do Ipea. A reforma tributária é vista como crucial para modernizar a economia brasileira, tornando-a mais competitiva e atraente para investidores nacionais e estrangeiros.

Publicado por: Juliana Moratto

Fonte: Portal Contabeis com informações G1