Aprovada proposta que impede mudança de vencimento de fatura sem consentimento

Aprovada proposta que impede mudança de vencimento de fatura sem consentimento

Texto proíbe alteração unilateral de datas de faturas de serviços contínuos; medida ainda precisa passar pela CCJ e pelo Senado. A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4917/24, que proíbe fornecedores de alterar a data de vencimento de faturas de serviços contínuos sem autorização prévia do consumidor.

A proposta, que modifica o Código de Defesa do Consumidor (CDC), foi aprovada em agosto e segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

De autoria do deputado Romero Rodrigues (Pode-PB), o projeto busca impedir que empresas de setores essenciais, como energia elétrica, água, gás, telefonia, TV por assinatura e internet, realizem mudanças unilaterais nos prazos de pagamento. O relator, deputado Rodrigo Gambale (Pode-SP), defendeu que a medida protege o planejamento financeiro das famílias e garante maior equilíbrio nas relações de consumo.

O que muda com o projeto de lei

O texto aprovado estabelece que a alteração da data de vencimento das faturas de serviços contínuos só poderá ocorrer mediante solicitação ou consentimento expresso do consumidor. Na prática, fornecedores ficam proibidos de modificar unilateralmente o prazo sem consulta prévia.

Atualmente, relatos de consumidores indicam que concessionárias e operadoras têm ajustado datas de cobrança sem aviso ou autorização, o que gera transtornos no controle financeiro e risco de atraso nos pagamentos. O projeto de lei busca coibir essa prática e oferecer maior previsibilidade nas despesas recorrentes.

Impactos para consumidores e empresas

Com a proposta, consumidores passam a ter mais segurança no gerenciamento de seus gastos, uma vez que poderão planejar com antecedência o pagamento das contas mensais. A medida também reduz a possibilidade de cobrança de juros e multas por atrasos decorrentes de mudanças imprevistas nos vencimentos.

Para as empresas, a obrigatoriedade de obter consentimento pode exigir ajustes nos sistemas de cobrança e atendimento, mas traz maior transparência às práticas comerciais. O objetivo é equilibrar direitos e deveres, evitando que decisões unilaterais prejudiquem os clientes.

Após a aprovação na Comissão de Defesa do Consumidor, o Projeto de Lei 4917/24 será apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo. Isso significa que, se aprovado, seguirá diretamente ao Senado Federal, sem necessidade de deliberação pelo Plenário da Câmara.

Somente após análise e aprovação tanto pelos deputados quanto pelos senadores, o texto poderá ser sancionado e transformado em lei. Até lá, ainda pode sofrer ajustes ou alterações durante a tramitação.

Código de Defesa do Consumidor em foco

A proposta representa uma atualização no Código de Defesa do Consumidor (CDC), legislação criada em 1990 para proteger os direitos da população nas relações de consumo. O CDC estabelece princípios de transparência, informação clara e equilíbrio contratual, que servem de base para diversas decisões judiciais e administrativas.

Ao inserir a exigência de consentimento para mudanças na data de vencimento, o projeto reforça o papel do CDC como instrumento de garantia de práticas justas entre empresas e consumidores.

Relevância para a área contábil

A discussão tem impacto direto na rotina dos consumidores, mas também interessa ao público contábil, responsável por orientar empresas e clientes sobre obrigações financeiras. Mudanças unilaterais de datas podem afetar fluxo de caixa, conciliação bancária e planejamento tributário.

Com a aprovação da proposta, os contadores precisarão acompanhar eventuais alterações na legislação para orientar corretamente seus clientes. Além disso, empresas que atuam em setores regulados devem revisar contratos e políticas de cobrança para garantir conformidade com as novas regras.

A tramitação do Projeto de Lei 4917/24 deve ser acompanhada de perto, já que sua aprovação pode estabelecer novas obrigações para fornecedores e ampliar direitos dos consumidores. Caso a proposta seja confirmada, empresas terão de adotar práticas mais rígidas de transparência e comunicação com seus clientes.

Para os consumidores, a mudança representa a possibilidade de maior previsibilidade e controle sobre suas contas, reduzindo riscos de endividamento por cobranças inesperadas.

Publicado por: Lívia Macario

Fonte: Portal Contabeis