Comissão da Câmara aprova PL que estabelece fim do “cálculo por dentro” de tributos

Comissão da Câmara aprova PL que estabelece fim do “cálculo por dentro” de tributos

Medida visa proibir que um imposto componha a sua própria base de arrecadação nas esferas federal, estadual e municipal. A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou, na última sexta-feira (22), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 23/2011, que proíbe formalmente a inclusão de um tributo na sua própria base de cálculo.

O avanço da proposta atende a uma demanda histórica de setores produtivos e de profissionais da contabilidade por maior clareza fiscal. A decisão tem o objetivo de extinguir o chamado “cálculo por dentro” nas esferas federal, estadual e municipal.  A justificativa dos defensores da pauta é que a prática mascara o real valor pago pelos contribuintes e eleva artificialmente a carga tributária nacional de forma pouco transparente.

O mecanismo do cálculo por dentro

O “cálculo por dentro” acontece quando o valor de um tributo integra o preço final da mercadoria ou do serviço. Com isso, o imposto incide sobre si mesmo. Esse modelo eleva o preço final ao consumidor de forma expressiva. Além disso, torna o entendimento da nota fiscal confuso para o cidadão comum.

O substitutivo aprovado altera o Código Tributário Nacional (CTN). A regra valerá para os impostos previstos na Constituição Federal (CF). Por exemplo, uma camiseta que custa R$ 100 e a alíquota do imposto é de 20%.

No cálculo por fora, o consumidor paga R$ 120, exatamente o que a alíquota indica. No cálculo por dentro, o imposto entra na própria base de cálculo e o consumidor passa a pagar R$ 125, embora a alíquota nominal continue sendo 20%.

Maior transparência para o contribuinte

Especialistas apontam que a aprovação da matéria é um aceno importante para a simplificação do ambiente de negócios no País. A atual sistemática gera distorções inflacionárias nos preços.

Com a proibição, se espera que o valor real de cada tributo fique explícito na nota. Isso impede o efeito cascata que encarece a produção nacional.

O parecer da proposta destacou que a sistemática atual prejudica a competitividade das empresas brasileiras. A mudança trará mais segurança jurídica.

Detalhes da proposta aprovada

O texto aprovado pela comissão é o substitutivo apresentado pelo deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) ao PLP 23/2011, de autoria do ex-deputado Guilherme Campos  (SP), tramitando em conjunto com a proposta anexa (PLP 163/2012).

O projeto original excluía da base de cálculo do ICMS o valor do próprio tributo devido em cada operação. Com a reformulação e aprovação do substitutivo no colegiado, a vedação foi ampliada para abranger de forma ampla os demais impostos do sistema tributário nacional.

Próximos passos no Legislativo

Apesar da aprovação na comissão técnica, a proposta ainda não virou lei e precisa cumprir outras etapas regimentais. O projeto será analisado agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). É a última etapa antes do Plenário.

Para passar a valer em todo o território nacional, o texto também precisará do aval do Senado Federal antes de virar lei.

Publicado por: Sâmara Azevedo

Fonte: Portal Contabeis com informações da Agência Câmara de Notícias