Emendas querem manter jornada de 44 horas em serviços essenciais

Emendas querem manter jornada de 44 horas em serviços essenciais

Propostas apresentadas na Câmara também defendem transição de até 10 anos para redução da jornada semanal. A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho ganhou novos desdobramentos na Câmara dos Deputados.

Duas emendas apresentadas à PEC 221/19 propõem manter a jornada semanal de 44 horas para atividades consideradas essenciais e criar uma transição de até 10 anos para implementação das mudanças.

O tema foi debatido na última sexta-feira (15) em Porto Alegre (RS), durante agenda do programa Câmara pelo Brasil.

Emendas propõem exceções para serviços essenciais

As sugestões apresentadas defendem que determinadas atividades mantenham a carga horária atual de 44 horas semanais.

Segundo o texto, a exceção valeria para setores cuja redução de jornada possa comprometer:

  1. preservação da vida;
  2. saúde;
  3. segurança;
  4. mobilidade;
  5. abastecimento;
  6. ordem pública;
  7. continuidade de infraestruturas críticas.

Deputado propõe compensação às empresas

Uma das emendas foi apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS). Além da manutenção da jornada para atividades essenciais, a proposta prevê redução de contribuições sociais pagas pelas empresas, incluindo encargos relacionados ao FGTS. A medida seria uma forma de compensar os custos gerados pela diminuição da jornada de trabalho.

Texto original previa jornada de 36 horas

A PEC 221/19 já previa um período de transição de 10 anos. No entanto, o texto original propunha reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 36 horas.

Câmara discute alternativa de 40 horas semanais

O entendimento mais recente da comissão especial da Câmara é diferente da proposta inicial. Segundo alinhamento com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a tendência é discutir:

  1. jornada semanal de 40 horas;
  2. dois dias de descanso;
  3. manutenção dos salários.

Relator ainda não definiu regras de transição

O relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), ainda não definiu:

  1. se haverá período de transição;
  2. quando as mudanças começariam a valer;
  3. quais setores poderiam ter tratamento diferenciado.

PEC prevê prazo menor

Outra proposta em análise na Câmara, a PEC 8/25, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), prevê uma implementação mais rápida. O texto estabelece prazo de 360 dias para redução da jornada para 36 horas semanais.

Debate segue em discussão na Câmara

O tema vem sendo debatido em audiências públicas e seminários regionais promovidos pela Câmara dos Deputados. Empresários defendem diálogo e alertam para possíveis impactos econômicos da redução da jornada sem corte salarial.

Já representantes de trabalhadores argumentam que o fim da escala 6×1 pode melhorar qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Publicado por: Juliana Moratto

Fonte: Portal Contabeis