Relator da Reforma Tributária pode decidir sobre criação de novo imposto estadual

Relator da Reforma Tributária pode decidir sobre criação de novo imposto estadual

Novo imposto estadual seria sobre bens ligados ao agronegócio, mineração e petróleo. O texto da reforma tributária, aprovada em julho na Câmara dos Deputados e agora amplamente discutido no Senado, pode abrir margem para estados cobrarem um novo imposto sobre bens ligados ao agronegócio, mineração e petróleo. O artigo que permite aos estados criar uma contribuição sobre bens primários e semielaborados será um dos problemas que o relator da proposta no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), terá q resolver nos próximos dias que antecedem a entrega de seu relatório à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O tributo foi incluído de última hora no texto da reforma tributária, aprovado pela Câmara dos Deputados.

O dispositivo pode ir contra o desejo dos estados por uma fonte de arrecadação própria já que Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sai de cena para entrar o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) , que será partilhado com os municípios e o setor produtivo, em especial a agropecuária e as indústrias de mineração e de petróleo, que denunciam o aumento da carga tributária. Um dos principais argumentos de especialistas contrários à criação do tributo é o de que ele contraria os princípios básicos que a reforma almeja, como a simplificação do atual modelo, que prevê que os cinco principais impostos sobre consumo sejam substituídos por três.

Se a contribuição estadual for aprovada, o país vai trocar cinco por quatro tributos, reduzindo o ganho com a simplificação. É o que explica o mestre em direito tributário pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Eduardo Natal. “A questão da tributação dos semielaborados e primários pelos estados contraria a lógica dos tributos que estão sendo criados para simplificar o sistema”, avalia.  Além disso, o imposto dos estados vai na contramão da tributação no destino onde o produto é consumido — encarece as exportações e traz de volta o problema da cumulatividade ao longo da cadeia de produção, explica o diretor de Relações Institucionais do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Rinaldo Mancin.

“O foco da reforma é simplificação, reduzir o custo sobre exportações, tributar de uma forma mais racional, tributar no destino e não na origem. O artigo é o contrário de tudo isso. É um jabuti [artifício que inclui um item estranho à proposta original] que foi inserido para tentar constitucionalizar taxas estaduais que vêm sendo cobradas”, afirma. Como o jornal Brasil 61 mostrou, a bancada do agro no Congresso Nacional articula um acordo para barrar o imposto da versão final do texto. Uma das propostas na mesa de negociações é permitir que apenas os estados que hoje têm um tributo  semelhante a este que se pretende criar possam mantê-lo. Os demais entes ficariam proibidos de instituir novo tributo.

A ex-ministra de Agricultura, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) já se posicionou. “É um dos pontos polêmicos da reforma. Nós estamos discutindo ele, tem várias versões e a gente quer chegar a um texto que contemple o agro. Nós não podemos aumentar o tributo sobre o agro porque ele afeta diretamente o consumidor final, que são todos os brasileiros”, pontua.

Parecer

Antes prevista para esta quarta-feira (4), a entrega do relatório da reforma no Senado foi adiada para o dia 20 de outubro. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) pretende pautar o texto para votação até o fim do mês de outubro. Se aprovado com alterações, o projeto volta para discussão na Câmara dos Deputados.

Publicado por: Izabella Miranda

Fonte: Portal Contabeis com informações adaptadas jornal Brasil 61