AUDITORIA EM PMES



Os pequenos e médios empresários tendem a acreditar, erroneamente, que apenas as grandes corporações devem passar por auditorias. Entretanto, tais processos podem ser vantajosos também para as chamadas PMEs por ajudarem na organização das contas e pouparem eventuais problemas com o Fisco. Nestas empresas, em virtude da pequena estrutura organizacional, a revisão dos controles internos deve ser realizada por uma equipe externa (auditores independentes), sem vínculo com a empresa, sócios ou seus colaboradores. Embora o trabalho de auditoria não seja feito, exclusivamente, para detecção de crimes financeiros, esse episódio pode acontecer, uma vez que o profissional analisa processos e dados financeiros das organizações. As fraudes nos setores de estoque e compras são os crimes financeiros mais cometidos nas PMEs e isso acontece porque essas firmas nem sempre têm controles que impeçam os desvios, propiciando, portanto, oportunidades para ocorrerem. pertinente aqui o ditado "a ocasião faz o ladrão".  


Muitas dessas empresas, algumas até por serem familiares, ainda funcionam na base da confiança ou com controles não formalizados adequadamente. A maioria delas, por terem estrutura muito enxuta, não tem estrutura interna de auditoria e nem contrata trabalhos de auditoria independente. Enquanto o pequeno e o médio empresário costumam achar que as auditorias representam um gasto para a firma, na verdade são um instrumento para evitar um custo maior que viria com a cobertura de fraudes e o pagamento de multas ao governo, no caso de os impostos não estarem em dia. Preciso lembrar ainda que a inadimplência tributária pode interferir negativamente nos negócios de uma empresa, desde a não obtenção de documentos importantes, até a intervenção judicial.  


As empresas enquadradas no Simples Nacional que não efetuarem o pagamento das dívidas com o Fisco, seja municipal, estadual ou federal, podem ser excluídas desse regime tributário simplificado. A falta de zelo dos empresários brasileiros com as contas das companhias tem refletido em números preocupantes.  O indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas registrou uma alta de 1,2%, em setembro deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Na relação entre os acumulados de janeiro a setembro de 2013/2012, a elevação foi de 1,4%. O cenário começa a mudar pouco a pouco. A inadimplência das pessoas jurídicas caiu 7,4% em setembro de 2014, em relação a agosto. Quem sabe vislumbra-se aqui uma mudança de paradigmas e de mentalidade do empresário brasileiro, podendo, sem dúvida, melhorar a credibilidade das companhias frente aos investidores e ao próprio mercado consumidor. 


* Diretor de auditoria da Baker Tilly Brasil MG


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